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Definição

Prevalência

Causas

Consequências

Métodos de diagnóstico

Composição Corporal

IMC

Pregas Adiposas

Método da Bioimpedância

Método da interactância

Perímetros

Somatotipologia

 

Métodos de diagnóstico da Obesidade

O excesso de peso corporal pode ser estimado por diferentes métodos ou técnicas. Esses métodos são, na sua generalidade, complexos e dispendiosos: hidrodensiometria, diluição de isótopos, bioimpedância, tomografia axial computorizada, ressonância magnética nuclear, entre outros.

As medidas antropométricas, devido à sua simplicidade de obtenção, baixo custo e correlação com a gordura corporal, como a altura, o peso relativo, a massa muscular, estrutura óssea, o perímetro da cintura relacionado com o perímetro da anca ou do peito, o padrão de distribuição da gordura subcutânea, as pregas adiposas e os vários índices que relacionam o peso e a altura são algumas dessas medidas que podem relacionar-se com o risco de desenvolvimento de desordens metabólicas e de doenças várias.

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 Composição Corporal

O interesse pelo estudo da Composição Corporal tem mais de um século e as primeiras pesquisas foram realizadas em animais. A composição corporal como campo de investigação tem-se desenvolvido, nas últimas duas décadas, rapidamente e em várias direcções. Algumas das áreas às quais se tem dado grande importância são a da estimação/predição da gordura/massa gorda na composição corporal e a da relação da composição corporal com a saúde.

Objectivos da Avaliação da Composição Corporal:

? Identificação de possíveis distúrbios associados à acumulação regional de gordura;

? Alertar as pessoas para os riscos associados aos reduzidos ou exagerados níveis de gordura corporal;

? Verificação da eficácia de um programa de nutrição /actividade física, na modificação dos valores da Composição Corporal.

Metodologias para a avaliação da Composição Corporal

São 3 os métodos básicos de avaliação da Composição Corporal, os directos, os indirectos e os duplamente indirectos.

Métodos Directos – Recorre a metodologias muito sofisticadas. É realizado em cadáveres.

Métodos Indirectos – Realizado em indivíduos vivos. Utiliza duas metodologias: a hidrodensitometria e a diluição de isótopos.

Métodos Duplamente indirectos – são, sem dúvida, os mais utilizados. Existem várias propostas, mas os mais utilizados nos ginásios são a Antropometria, as Pregas de Adiposidade, a bioimpedância e a interactância por infra-vermelhos.                                    

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 Índice de Massa Corporal - IMC

O Índice de Massa Corporal (IMC) ou Índice de Quetelet foi estabelecido por Quetelet, em 1969, e é um método analítico, não laboratorial, que permite a avaliação da composição corporal de uma forma indirecta.

O IMC expressa a relação entre o Peso (massa corporal) e a Altura de um indivíduo e traduz-se pelo quociente entre a massa corporal em quilos e o quadrado da altura em metros, [IMC = Peso (kg) / Altura (m2)], e tem sido usado frequentemente para estimar o peso ideal ou a obesidade.

O IMC é não só um indicador que permite avaliar se um indivíduo tem ou não excesso de peso e é também um preditor da gordura corporal.

A OMS, em 2000, estandardizou a classificação do excesso de peso e da Obesidade baseada no IMC, para adultos de ambos os sexos. Após alguma controvérsia, devida sobretudo aos IMC apresentados pela população dos EUA, que são geralmente mais elevados, a OMS acordou que um IMC normal se situaria entre os 18,5 e os 24,9 kg/m2. No quadro seguinte, pode observar-se a classificação da Obesidade tendo em conta o IMC, segundo a OMS. 

 Classificação da Obesidade de acordo com o IMC

Classificação

IMC (kg/m2)

Risco de co-morbilidade

Baixo Peso

≤ 18,5

Baixo (risco aumentado de outros problemas clínicos)

Peso normal

18,5 a 24,9

Médio

Excesso de Peso

≥ 25

 

Pré-obesidade

25 a 29,9

Aumentado

Obesidade grau 1

30 a 34,9

Moderado

Obesidade grau 2

35 a 39,9

Severo

Obesidade grau 3

≥ 40

Muito Severo

 Apesar de não representar a composição corporal, o IMC vem sendo utilizado como uma medida aproximada de gordura total, visto que apresenta uma forte correlação com a gordura corporal.

Apresenta como vantagens a grande facilidade de recolha de dados. Contudo, ntre as limitações do uso do IMC está o facto de que este indicador pode sobrestimar a gordura em pessoas com elevada percentagem de tecido muscular e subestimar gordura corporal de pessoas que perderam massa muscular, como no caso de idosos.

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 Pregas Adiposas

 A lógica para a medida das pregas adiposas baseia-se no facto de que uma grande parte do conteúdo corporal total da gordura fica localizada nos depósitos adiposos existentes debaixo da nossa pele e ela está directamente relacionada com a gordura total.

A grande vantagem de se utilizarem as medidas de espessura das dobras cutâneas no estudo da composição corporal está no facto de que, além de se obterem informações quanto à estimativa da quantidade do componente de gordura total, torna-se possível conhecer o padrão de distribuição do tecido subcutâneo pelas diferentes regiões do corpo, o que se denomina topografia da gordura subcutânea.

Avaliação das Pregas

Para avaliar é necessário ter em conta os seguintes aspectos:

? As pregas deverão ser todas avaliadas do lado direito do corpo, excepto a abdominal, que deve ser medida do lado esquerdo;

? A mão que vai segurar a prega deve estar em forma de pinça (polegar e indicador);

? Não tirar a mão que segura a prega, durante a medição;

? O adipómetro deve penetrar cerca de 1± cm na prega de adiposidade

? A escala do adipómetro deve estar voltada para o avaliador;

? Deve realizar-se 2 a 3 medições, o limite do erro, entre 2 medições consecutivas é de 2 mm.

Existem várias pregas de adiposidade que podem ser avaliadas, no entanto, são mais utilizadas 6 pregas: 3 referentes aos membros (tricipital, crural e geminal) e 3 referentes ao tronco (subscapular, ilíaca e abdominal).

A avaliação da composição corporal através das pregas adiposas também se torna possível com a utilização de equações de regressão que podem ser específicas de determinadas populações ou universais.

Sexo masculino (adulto)

?  %MG = 0,39287 (S3) – 0,00105 (S3²) + 0,15772 (idade) – 5,18845

Sexo feminino (adulto)

? %MG = 0,41563 (S3) – 0,00112 (S3²) + 0,03661 (idade) + 4,03653

? S3 – somatório das 3 adiposas (tricipital, abdominal e ilíaca)

Valores de referência para a percentagem de gordura

 

Sexo Masculino

Sexo Feminino

Até 29 anos

30 ou mais

Até 29 anos

30 ou mais

Abaixo da média

< 14%

< 17%

< 17%

< 20%

Na média

14 a 20%

17 a 23%

17 a 23%

20 a 27%

Acima da média

> 20%

> 23%

> 23%

> 27%

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 Método da Bioimpedância

Utiliza a condução de uma corrente eléctrica aplicada ao organismo, de baixa intensidade.

Todas as técnicas utilizam 4 eléctrodos (2 emissores e 2 receptores da corrente). A diferença de corrente é detectada pelos eléctrodos receptores, determinando assim o valor da impedância.

É considerado um bom método de estimação da água corporal, atendendo que avalia a Massa Isenta de Gordura, que contém grande parte da água e electrólitos do organismo.

 

Vantagens

Limitações

? Fácil de aplicar

? Sobrestima a MG em indivíduos muito magros e subestima a MG em indivíduos obesos

 

? Não invasivo

? Não ter ingerido líquidos nem sólidos há, pelo menos 2 h

 

? Portátil

? Não ter efectuado actividade física intensa há, pelo menos 2 h

Portátil

? Pode ser aplicado em diferentes idades e estados de saúde (excepto em portadores de pace macker)

? Cada pessoa apresenta uma grande variação no equilíbrio hídrico

 

 Todos os métodos têm valores de referência. Apresentamos um exemplo relativo à balança Tanita.

 Valores de referência para a percentagem de gordura “Tanita”

 

19 aos 39 anos

40 aos 59 anos

60 ou mais anos

Homens

8 a 20%

11 a 22%

13 a 25%

Mulheres

21 a 33%

23 a 34%

24 a 36%

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Método da interactância por infra-vermelhos

É um método que se baseia na emissão de um raio de infra-vermelhos. A velocidade de condução do feixe permite estimar a Composição Corporal.

Vantagens

Limitações

? Fácil de aplicar

? Zona onde é realizada a leitura é muito reduzida (bicipital)

 

? Não invasivo

? Na  estimativa da Composição Corporal varia consideravelmente em função da actividade física semanal

 

? Portátil

? Nem sempre é fácil conhecer o perfil de actividade física geral de cada sujeito

? Relativamente acessível  em termos de custos

? Não há valores de referência para o body frame

 

? Pode ser aplicado em diferentes idades e estados de saúde

 

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Perímetros

A medição dos perímetros da cintura e da anca têm também sido usados como ajuda no diagnóstico da obesidade, uma vez que a investigação actual permite-nos saber que a gravidade da Obesidade não depende apenas do seu grau, mas também da forma como a massa gorda se distribui. Na literatura sugere-se uma divisão em dois grupos quanto ao tipo morfológico dos indivíduos, tendo em conta os perímetros da cintura e da anca: a Obesidade Ginóide e a Obesidade Andróide.

O padrão de distribuição da gordura, é de facto, o melhor indicador do risco de morbilidade associado à obesidade do que a quantidade de gordura corpral em termos absolutos (Ross e col., 1996).

Distribuição regional da gordura

Tipos

Problemas

 

Obesidade Ginóide é o tipo morfológico característico das mulheres obesas, onde a distribuição da gordura se faz preferencialmente na metade inferior do corpo, glúteos e coxas.

 

- Problemas mecânicos (excesso de peso)

- Problemas psicológicos

Obesidade Andróide é mais usual nos homens obesos, onde a distribuição da gordura se acumula sobretudo na metade superior do corpo (região abdominal).

 

- Problemas cardiovasculares

- Tendência para diabetes

- Hipertensão

- Arteriosclerose

- Níveis elevados de colesterol

- Níveis elevados de triglicerídeos

 

 O excesso de tecido adiposo na região do tronco é um importante factor de risco de Doenças Cardiovasculares, e afecta significativamente a Tensão Arterial, entre outros.

A medição do perímetro da cintura é outro marcador alternativo da gordura visceral. Nos indivíduos do sexo feminino, perímetros da cintura superiores a 80 cm são considerados como um factor de risco acrescido de complicações metabólicas e acima dos 88 cm como um factor de risco elevado; nos indivíduos do sexo masculino esses valores são 94 e 102 respectivamente. O Rácio cintura/anca deve ser inferior a 0,85 na mulher e inferior a 1 no homem.

Perímetro da cintura

Homem

Mulher

Normal

Até 94 cm

Até 80 cm

 

Risco aumentado

> 94 cm

 

> 80 cm

Risco muito aumentado

> 102 cm

> 88 cm

 

Avaliação dos Perímetros

Para avaliar deve ter-se em conta os seguintes tópicos:

? Utilização de uma fita métrica antropométrica;

? Colocar a fita métrica à volta do segmento (perpendicular ao segmento) evitando a compressão;

? Todas as medições devem ser realizadas com o avaliado em posição anatómica (em pé, com as palmas das mãos voltadas para a coxa), com excepção da medição do perímetro geminal na qual o avaliado deve estar sentado.

Os locais de medição dos perímetros são os seguintes:

Perímetro

Protocolo

Torácico

- Mede-se no momento da expiração normal

- Homens acima do mamilo

- Mulheres – término do seio

Cintura

- Região de menor circunferência acima do umbigo, ou no próprio umbigo, após uma expiração normal

Anca

- Região de maior circunferência à volta das nádegas

- Musculatura descontraída

Braço Tenso

- Braço flectido a 90º

- Mede-se ao nível da maior circunferência com o bicipete em contracção

Braço Relaxado

- Mede-se com o braço pendente ao longo do tronco e descontraído – No mesmo local do anterior

Crural ou Coxa

- Mede-se com os apoios separados (10 ± cm)

- Abaixo da prega glutídea, na zona de maior diâmetro da coxa

- Peso corporal distribuído por ambos os apoios

Geminal ou Perna

- Mede-se na zona de maior diâmetro ao nível do gémeo

- Peso corporal distribuído por ambos os apoios

Fonte: Garganta, (2003); Organização Mundial de Saúde, Themudo e col., (1997).

Autora: Carla Marisa Maia Moreira (2007) : (Email: carla_m_moreira@sapo.pt)

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